O que é. Ao contrário da maioria dos modos de falha do rolamento, este acontece quando a máquina está parada, não girando — mas exposta a alguma fonte de vibração externa (transporte rodoviário/ferroviário, uma máquina vizinha em operação, ou vibração transmitida pela estrutura). Como o rotor não gira, os mesmos pontos de contato entre esferas/rolos e pistas ficam sujeitos a um micromovimento oscilatório repetido — pequeno demais para ser "rolamento" de verdade, grande o suficiente para expulsar o filme de lubrificante daquele ponto específico e permitir contato metal-metal repetitivo. O resultado: marcas de desgaste na pista, exatamente no espaçamento dos corpos rolantes, muitas vezes com uma coloração avermelhada/enegrecida (óxido) — visualmente parecidas com as marcas do verdadeiro brinelamento (deformação por sobrecarga estática), só que causadas por um mecanismo completamente diferente. Daí o nome: falso brinelamento.
Como reconhece em campo. O sintoma só aparece depois — quando a máquina finalmente entra em operação normal, ela apresenta vibração ou ruído anormal logo na partida, mesmo sem nunca ter sido operada em condição adversa. É um dos poucos modos de falha do rolamento cuja causa raiz aconteceu antes da máquina sequer começar a trabalhar.
Por que importa. É extremamente comum em equipamentos que passam por transporte de longa distância, ficam em estoque prolongado perto de outras máquinas vibrando, ou são desligados por manutenção prolongada sem rotina de giro periódico (barring). A prevenção é simples e barata (girar o eixo periodicamente durante a parada, ou isolar de vibração externa) — mas raramente lembrada porque o dano é invisível até a próxima partida.