O que é. Diferente da contaminação, aqui o problema não é o que está no óleo/graxa, mas a ausência ou insuficiência do próprio filme. Isso acontece por excesso de velocidade/temperatura frente à viscosidade do lubrificante escolhido, quantidade errada de graxa (pouca ou — surpreendentemente — excesso, que gera calor pelo próprio atrito interno da graxa), intervalo de relubrificação longo demais, ou perda súbita (bomba de graxa travada, retentor rompido). Sem o filme protetor, as superfícies metálicas entram em contato direto — não risco de partículas como na contaminação, mas atrito metal-metal puro, que gera calor, "solda" e arranca microscopicamente pequenos pontos de material (o chamado smearing, ou escoriação).
Como reconhece em campo. Temperatura anormalmente alta é o sinal mais direto e precoce — muitas vezes antes de qualquer vibração perceptível. Em estágio avançado, ruído crescente e, no pior caso, travamento do rolamento por solda a frio entre as superfícies.
Por que importa. É um dos modos de falha mais evitáveis e mais baratos de prevenir — a correção é essencialmente auditoria de plano de manutenção, não intervenção física cara. E é traiçoeiro: excesso de graxa é tão perigoso quanto falta, o que torna "relubrificar por precaução, sem seguir a tabela do fabricante" uma prática contraproducente.