Guia — How to use
A teoria por trás das três ferramentas, o que é cada parâmetro, de onde tirar os dados e como ler os resultados. Nem todo mundo precisa saber isso de cor — é para isso que este guia existe.
O fluxo em 30 segundos
Cada calculadora responde a uma pergunta do método:
Como a falha se comporta no tempo?
Weibull 2P
Quanto a falha custa em tempo parado?
MTBF · MTTR · Disponibilidade
De quanto em quanto tempo inspecionar?
Intervalo P-F
De onde vêm os dados
- ·Histórico do CMMS (SAP-PM, Maximo): datas de falha, horas de operação e tempos de reparo.
- ·Notas do acervo: cada modo de falha cita o β e o P-F típicos da literatura.
- ·Bancos setoriais (ex.: OREDA para óleo e gás), quando não há histórico próprio.
⚠ O erro nº 1: misturar modos de falha diferentes na mesma amostra. Cada análise usa os dados de UM modo de falha.
Guia — How to use
Clique em cada ferramenta para abrir a explicação.
1Weibull 2 parâmetrosComo a falha se comporta no tempo?Framework A
O que é
A teoria
A Weibull descreve QUANDO um item tende a falhar ao longo da vida — não o custo, não a detecção, apenas o padrão temporal. Bastam dois parâmetros: β diz o FORMATO da falha (se ela se concentra no começo, é aleatória, ou cresce com a idade) e η diz a ESCALA (onde no tempo ela acontece).
R(t) = exp(−(t/η)^β) — a chance de chegar vivo à idade t
O que é cada parâmetro
Como ler o β
O β é a INCLINAÇÃO da taxa de falha no tempo — a derivada do risco. Um único número diz em qual dos três regimes o item está, e cada regime pede uma estratégia diferente:
Mortalidade infantil — a taxa de falha CAI com o tempo
As falhas se concentram no início da vida: defeito de fabricação, erro de montagem/instalação, partida malfeita. Trocar por idade não ajuda — pode até reintroduzir o defeito. A ação é a causa raiz: qualidade, comissionamento, montagem.
Aleatória — a taxa de falha é CONSTANTE
A falha não depende da idade — um item novo tem a mesma chance de falhar que um usado. Revisão programada não reduz a taxa (é o padrão dominante de Nowlan & Heap). Monitore a condição, se houver P-F, ou opere até falhar.
Desgaste — a taxa de falha SOBE com a idade
Um mecanismo acumula dano: fadiga, erosão, abrasão, corrosão. Existe vida útil identificável — faz sentido restaurar ou descartar ANTES da zona de desgaste (ex.: à vida B10).
Como estimar / medir
- 1
Isole um modo de falha e fixe o relógio
Escolha UM modo de falha e a variável de vida certa: horas de operação, ciclos ou partidas — nunca horas-calendário. Todos os tempos na mesma unidade e no mesmo relógio (horímetro/PIMS, não a data).
- 2
Monte a amostra com falhas E suspensões
Cada unidade entra com um tempo e um rótulo: 'falha' para as que falharam por aquele modo; 'suspensão' (censura à direita) para as que ainda operam, foram trocadas por outro motivo ou saíram do estudo. Ignorar as suspensões subestima a vida e distorce β e η.
- 3
Atribua a probabilidade acumulada (median ranks)
Ordene os tempos de falha e estime F(t) por median rank — Bernard: (i − 0,3)/(n + 0,4) — ajustando as posições quando há suspensões (rank de Johnson). É o que lineariza os dados no papel de Weibull.
- 4
Ajuste os parâmetros: regressão ou MLE
Plote ln(t) contra ln(ln(1/(1−F))): a inclinação da reta é β e η é o t onde F = 63,2%. Com poucas falhas ou muita censura, prefira máxima verossimilhança (MLE). Softwares (Weibull++, R `survival`, Python `reliability`) fazem os dois e dão intervalos de confiança.
- 5
Valide antes de decidir
Com menos de ~8–10 falhas o β tem incerteza grande — reporte o intervalo de confiança e não decida no fio da navalha. Um 'joelho' na reta costuma denunciar dois modos de falha misturados: volte ao passo 1. Sem dados próprios, parta do β típico da nota do acervo e calibre o η com a vida média da sua planta.
Como usar
- 1
Informe β e η
β do seu ajuste (ou o típico citado na nota do modo de falha); η em horas. O chip colorido ao lado classifica o regime na hora.
- 2
Defina o tempo de missão t
O horizonte da decisão — por exemplo, o intervalo até a próxima parada. É o t que entra em R(t), F(t) e h(t).
- 3
Leia a sobrevivência e a vida
R(t) = probabilidade de cumprir a missão sem falhar; MTTF = vida média até a falha; B10 = idade em que 10% já falharam — o critério clássico para dimensionar rolamentos e trocas.
- 4
Compare com o seu intervalo
Se você troca ou inspeciona a cada X horas, confronte X com o B10 e com R(X). Um R(X) baixo, ou um X além do B10, dizem que o intervalo está otimista.
- 5
Teste cenários
Aumente η (melhoria de instalação/projeto) ou empurre β em direção a 1 (controle de causa) e veja o efeito em R(t) e B10 antes de comprometer um plano. A categoria Fw A resultante alimenta o seletor de estratégia.
2MTBF · MTTR · DisponibilidadeQuanto a falha custa em tempo parado?Impacto
O que é
A teoria
Para itens reparáveis a vida é um ciclo: operar → falhar → reparar → operar. A disponibilidade mede a fração desse ciclo em que o ativo está apto. A inerente (Ai) considera só o reparo técnico; a operacional de campo, que inclui logística e espera, é sempre menor.
Ai = MTBF / (MTBF + MTTR)
O que é cada parâmetro
Como estimar / medir
- 1
Fixe a janela e o item
Defina o período (12–24 meses dão amostra estável) e o item ou função sob análise. Some as horas de OPERAÇÃO no período pelo horímetro/PIMS — um ativo que rodou 60% do tempo 'envelheceu' 60%.
- 2
Conte só as falhas funcionais
MTBF = horas de operação ÷ nº de falhas (perda de função) do período. Exclua preventivas, paradas de processo e intervenções sem falha. E não perca as falhas 'pequenas' que a operação resolve sem abrir OS — elas somem do CMMS e inflam o MTBF.
- 3
Meça o MTTR como tempo ATIVO
MTTR = Σ tempos de reparo ÷ nº de reparos, do início da intervenção à devolução apta. Não inclua espera por sobressalente, deslocamento, liberação ou troca de turno — isso é tempo logístico (parte do MDT), outra métrica. Misturar os dois esconde onde está o gargalo.
- 4
Separe por modo de falha quando possível
Modos com dinâmicas diferentes (desgaste lento × falha súbita) num só MTBF viram um KPI cego. Um MTBF por modo de falha aponta ação; o agregado só serve para relatório.
Como usar
- 1
Informe MTBF e MTTR
Na mesma unidade de tempo (horas). O λ = 1/MTBF aparece junto — a frequência de falhas.
- 2
Leia a disponibilidade inerente Ai
É a fração de tempo apto considerando só o reparo técnico — o TETO de projeto. A disponibilidade que você mede em campo será menor, porque inclui logística e espera.
- 3
Traduza em tempo parado por ano
A indisponibilidade anual (em horas e dias/ano) é o número que justifica investimento à gestão: quanto de produção esse par falha+reparo custa por ano.
- 4
Escolha a alavanca certa
Compare dois cenários: dobrar o MTBF (mais confiabilidade) versus reduzir o MTTR à metade (mais mantenabilidade). Veja qual move mais o Ai — quase sempre um deles é bem mais barato de conseguir.
3Intervalo P-FDe quanto em quanto tempo inspecionar?Framework B
O que é
A teoria
A falha raramente é instantânea: primeiro ela dá um sinal detectável (ponto P), depois perde a função (ponto F). Esse intervalo P-F é a janela em que uma inspeção pode pegá-la a tempo. A tarefa sob condição só é eficaz se a inspeção couber dentro dela — com folga.
inspeção ≤ P-F / 2 — ao menos 2 chances de detecção (Moubray, cap. 8)
O que é cada parâmetro
Como estimar / medir
- 1
Escolha a técnica de detecção primeiro
O P-F muda com o instrumento, não só com a falha. Para um rolamento, o ultrassom/emissão acústica vê o defeito semanas antes da vibração, que vê antes da temperatura, que vê antes do ruído audível. Defina qual técnica a rota vai usar antes de estimar o número.
- 2
Meça o P-F em run-to-failure ou no histórico
O ideal é ensaio controlado; na prática, use os eventos reais que 'escaparam' da rota: registre o tempo entre o PRIMEIRO sinal detectável (P) e a perda de função (F). Colete vários — o P-F tem dispersão.
- 3
Adote o menor P-F plausível
Dimensione pela ponta pessimista da distribuição, não pela média: se metade dos casos avisa em 4 semanas e a outra metade em 2, projete a rota para 2. Conservador aqui é o certo.
- 4
Sem dados, use a literatura da técnica
As notas de modo de falha do acervo trazem o P-F típico por técnica; ajuste ao seu contexto (severidade de serviço, carga, temperatura) antes de fechar o intervalo.
Como usar
- 1
Informe o P-F e o intervalo praticado
O P-F na técnica escolhida e a periodicidade atual da rota — na MESMA unidade nos dois campos (dias, semanas ou meses).
- 2
Confira o intervalo recomendado (P-F/2)
É o teto de eficácia: inspecionar a cada metade do P-F garante ao menos 2 oportunidades de flagrar o sintoma antes de F.
- 3
Leia as chances de detecção e a margem
As chances dizem quantas passagens da rota caem dentro da janela; a margem é a folga entre a janela e o intervalo praticado.
- 4
Aja se a margem for negativa
Margem negativa = a rota não alcança a janela a tempo. Três saídas: aumente a frequência de inspeção, troque para uma técnica com P-F maior, ou reconsidere a estratégia no Framework B (a tarefa sob condição pode não ser aplicável).
Referências do guia: Smith — Reliability, Maintainability and Risk (2004) · Moubray — RCM II (1997), cap. 8 · Nowlan & Heap (1978). A teoria completa dos dois frameworks está em O método. O método (Framework A → Framework B) →